É chegada Belém a época que talvez seja a mais importante para todos, a época em que a cidade se transforma, e junto com ela, as casas, as pessoas e até mesmo o humor do paraense.
O cheirinho das comidas sendo cuidadosamente preparadas que sai do domínio das casas e literalmente invade as ruas faz com que o cérebro já assimile que chegou o tão mágico e único momento do ano, o Círio.
As caixas de som no caminho da procissão com as músicas levam a mente as lembranças e aos olhos as lágrimas mesmo discretas que sejam. Lembranças que a cada ano se acumulam uma diferente das outras, começando na sexta, logo no adeusinho discreto na saída da Basílica para o Círio rodoviário e terminando em outro adeusinho na capela do Colégio Gentil.
Na missa da trasladação, senhoras e jovens com o mesmo fôlego e claro, a mesma já citada emoção, os fogos anunciam que já é hora de começar a se preparar para levar Naza até a Sé, no caminho muitas imagens que se acumularão. Em quase poucos sete anos acompanhando a antecessora da grande romaria, já vi e vivi momentos que me explicam e me deixam ao mesmo tempo mais intrigado. Por que quase 1,3 milhões de pessoas ali, de noite, com velas, descalços?
O suor se mistura com um tradicional e esperado chuvisco, com as lágrimas que diversos momentos cruzam vagarosamente o rosto, caladas as pessoas revelam suas agonias, suas aspirações, e seus agradecimentos. Creio que cada homenagem originalmente a Maria de Nazaré seja a cada devoto que a acompanha, homenagem a força, vontade, coragem e algo tão maior e tão misterioso chamado Fé!
A fé que junta mais de três milhões em dois dias, que de tão diferentes se tornam iguais, ajudando a si, segurando em cada oração a mão do próximo, e estão ali verdadeiros irmãos, filhos seguindo e levando sua Mãe.
O Círio em suas duas procissões mais importantes é isso, a misteriosa força maior que une, emociona, e encanta. Dias em que nossos corações estão visivelmente ao alto.
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