terça-feira, 24 de março de 2009

África e a hipocrita.

Recentemente o presidente do Sudão foi julgado pelo tribunal internacional de Haia. Caso que para muitos para muitos pareceu ser sensato, é reflexo de pura hipocrisia e antiética.
Retalhada e aculturada a África em seus tempos de colônia absolutamente foi a região mais devastada e que consequentemente mais sofreu (e ainda sofre), traçando uma linha cronológica, Europeus à procura de “especiarias” (na abrangência do termo) dominaram e colonizaram o continente, a divisão ignorou as tribos e suas áreas de domínio.
Tribos rivais acabaram ficando em uma mesma área criminalmente demarcada. Conflitos como o de Darfur onde religião e política se opõem é um espelho na historia africana. Em certos países chega a mais de duzentas as diferentes tribos com seus respectivos dialetos, crenças...
As guerras tribais, civis, atentados e conflitos de forma geral lá ocorridos são de uma forma extremamente ética, por incrível que pareça!
A defesa de um povo ou tribo é um ideal que é defendido de forma a gerar repúdio e estranhamento para tantos “civilizados” se depararem com a noticia de uma nigeriana ser condenada a apedrejamento por um julgamento de um clã rival. Agora imaginando o impacto, e dor que sente um povo perder a cultura e começar a ser explorado das mais variadas formas, desde suas riquezas até a si mesmo, no tráfico de escravos (proibido primeiramente pela Inglaterra) e ainda perder o território tendo assim que conviver humilhantemente com seus rivais.
É justo condenar os problemas de uma região da qual os próprios responsáveis querem buscar absolvição por meio de culpar os que apenas vivem situações provocadas por estes seres “civilizados” do velho mundo?
Esconder-se como donos da verdade ou únicos justos acaba confundindo quem toma a atenção apenas para “um lado” da história.
A ética é a defesa e não o virar as costas omitindo a parcela (se não todo valor) de culpa, é seguir seus valores e não se dizer “donos de todo conhecimento”, filosoficamente é seguir aquilo que pra si é o correto, o ideal, e isto nunca poderá ser mudado.